O aumento das chuvas e os problemas causados aos municípios e às suas populações vêm gerando preocupação em profissionais do projeto ambiental “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas” (que tem patrocínio da Petrobras). Temporal que atingiu Piracicaba (SP) na noite da última quinta-feira (29), ocasionou alagamentos em diferentes pontos da cidade. Um homem morreu após ser arrastado, junto com sua motocicleta, pela enxurrada em uma importante avenida.
O “Corredor Caipira” é realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Esalq/USP). O patrocínio é da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
“O aumento da intensidade dos temporais que a gente vê com cada vez mais frequência ocorre em virtude das mudanças climáticas. O aquecimento do planeta tem um impacto direto na regularidade das chuvas”, afirma Henrique Ferraz de Campos, coordenador técnico do projeto “Corredor Caipira”.
“Com o ar mais quente, há maior capacidade de retenção de vapor d’água e mais energia e, quando a chuva acontece, ela vem de forma mais intensa e concentrada. Além disso, os contrastes de temperatura ficam mais fortes, favorecendo tempestades com ventos, raios e grandes volumes de chuva em pouco tempo”, indica Henrique.
Importância do reflorestamento
O “Corredor Caipira” aponta a importância de realizar ações de reflorestamento, especialmente em áreas onde a existência de vegetação nativa remanescente é considerada baixa. Segundo um estudo realizado pelo projeto em 2021, Piracicaba possui 9% de vegetação natural.
A área de abrangência direta do “Corredor Caipira”, reúne, além de Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi. De acordo com o mesmo levantamento, a porcentagem de remanescentes apresenta variação entre os municípios, correspondendo a 15% em Santa Maria da Serra, 16,5% em São Pedro e Águas de São Pedro, e 18,5% em Anhembi.
“Temos uma quantidade de vegetação nativa muito abaixo do ideal em nossa região e isso agrava a situação. As florestas ajudam a regular o clima e a forma como a chuva acontece. Quando estão bem conservadas e melhor distribuídas no território, elas agem mantendo a umidade do ar equilibrada, reduzindo o calor excessivo e fazendo com que a chuva caia de maneira mais distribuída”, diz.
“Plantar mais florestas e garantir estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas é essencial para reduzir eventos extremos e proteger as cidades e as pessoas”, completa Campos.
Corredor Caipira
O projeto “Corredor Caipira” tem como objetivo favorecer o estabelecimento de paisagens sustentáveis, por meio da conservação e da restauração ecológica; a gestão do território e a produção sustentável, tendo como destaque o fomento de corredores ecológicos que conectem, além das áreas com relevante importância para a manutenção da biodiversidade, saberes e políticas públicas relacionadas, a fim de promover sustentabilidade e melhores condições existenciais.