Por Lícia Mangiavacchi
No Carnaval 2026, a combinação de calor forte, aglomerações de pessoas, uso intensivo de maquiagens, glitter, sprays de espuma e tecidos sintéticos aumenta o risco de alergias cutâneas e crises respiratórias entre foliões, de acordo com especialistas em saúde.
A dermatite de contato, inflamação da pele causada por substâncias presentes em cosméticos e acessórios, é uma das queixas mais comuns nessa época do ano, provocando vermelhidão, coceira e irritação após exposição prolongada a produtos como tintas, purpurinas e sprays de cabelo. Além disso, a inalação de aerossóis e partículas finas em ambientes cheios pode agravar quadros de rinite e asma em pessoas mais sensíveis, sobretudo quando o calor facilita a maior respiração pela boca e a proximidade física com outras pessoas intensifica a exposição a alérgenos.
Para a alergista Dra. Ana Flavia Bernardes, que acompanha pacientes com alergias de pele e respiratórias, o Carnaval pode ser uma época de grande alegria, mas também de desafios para quem tem pele sensível ou histórico de alergias. A combinação de produtos cosméticos, brilho e calor pode desencadear reações que variam de leve vermelhidão a crises mais intensas de coceira, irritação e até sintomas respiratórios em quem já tem predisposição.
Ela alerta que é fundamental usar produtos com certificação de segurança, hipoalergênicos sempre que possível, e testar toda maquiagem ou adereço em uma pequena área da pele antes da aplicação total, para identificar qualquer sinal de reação adversa.
Entre as principais causas de alergias durante a folia estão as partículas de glitter e purpurina inadequadas à pele que podem causar abrasão e irritação, especialmente ao redor dos olhos, sprays de espuma que podem provocar irritação na pele e nas vias aéreas, se inalados e produtos cosméticos de baixa qualidade com conservantes e fragrâncias potencialmente alergênicos. A escolha de tecidos sintéticos para fantasias também pode agravar quadros de dermatite de contato, já que, somados ao suor e atrito, esses materiais favorecem irritação cutânea e sensação de desconforto.
Para evitar crises durante as festas e viagens, Dra. Ana Flavia recomenda algumas precauções práticas: optar por glitter cosmético específico (de preferência biodegradável e hipoalergênico), evitar sprays diretamente sobre o rosto e mucosas, e escolher maquiagens com registro na Anvisa e sem substâncias conhecidas por causarem reações alérgicas.
Além disso, a alergista sugere que os foliões preparem a pele com uma boa camada de filtro solar e hidratante antes de aplicar qualquer maquiagem, já que a barreira cutânea bem hidratada é menos suscetível a irritações.
“Manter a pele limpa e hidratada, remover a maquiagem com produtos adequados logo que possível e lavar a área com água corrente ao final da folia ajudam a reduzir o risco de respostas alérgicas”, acrescenta.
Em relação às alergias respiratórias, Dra. Ana Flavia enfatiza a importância de evitar a inalação prolongada de aerossóis e substâncias em suspensão no ar durante blocos e festas muito cheios, e recomenda que pessoas com histórico de asma ou rinite mantenham seus medicamentos de controle em dia e considerem o uso de máscaras em situações de grande aglomeração para minimizar a exposição a alérgenos.
“Se houver sintomas como dificuldade respiratória, falta de ar ou chiado no peito, é importante procurar atendimento médico rapidamente, pois esses sinais podem indicar uma crise alérgica mais séria”, alerta.
Com uma preparação cuidadosa e escolhas conscientes sobre produtos e comportamentos durante o Carnaval, é possível aproveitar a festa com menos riscos de alergias na pele e no sistema respiratório, garantindo saúde e bem-estar mesmo em meio ao calor, brilho e multidões que caracterizam a maior festa popular do Brasil.