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Artigo - Barjas Negri - Escola Estadual João Sampaio mais de 40 anos de história

Publicada em: 09/02/2026 09:30 -

Escola Estadual João Sampaio mais de 40 anos de história

 

Barjas Negri

 

A década de 1970 foi marcada por um crescimento expressivo da economia piracicabana. Primeiro, como reflexo do chamado “milagre piracicabano” (1967–1973); depois, com a criação do Proálcool (1973), que deu grande impulso à indústria local produtora de equipamentos para o setor, sob o comando da Dedini, Codistil, Mausa e diversas outras empresas de menor porte. Também merece destaque a criação do Unileste, durante a gestão do prefeito Adilson Benedito Maluf, que atraiu para Piracicaba novas empresas, com destaque para Caterpillar e Philips. Esses movimentos geraram muitos empregos na cidade e atraíram trabalhadores de outras regiões, impulsionando ainda mais o setor da construção civil

Por outro lado, o Proálcool estimulou a expansão da lavoura canavieira, que todos os anos atraía milhares de cortadores de cana, sobretudo do Estado de Minas Gerais e da Região Nordeste do Brasil. Ao término de cada safra, uma parcela desses trabalhadores não retornavam as suas cidades, trazendo suas famílias e passava a ocupar áreas urbanas de periferia, em loteamentos formais ou informais. Como a oferta de educação básica — ensino fundamental e médio — era responsabilidade do Estado, as autoridades estaduais demoravam a responder ao fenômeno da expansão populacional, especialmente o aumento de crianças em idade escolar. Muitas ficavam sem vaga ou eram transportadas diariamente por ônibus escolares para escolas da área central, que rapidamente se tornaram superlotadas.

Naquele período, eu exercia o cargo de professor de Economia na Unimep e participava de pesquisas sobre políticas públicas e urbanização, o que me permitia compreender com mais profundidade essa realidade. Isso levou ao convite do prefeito João Herrmann Neto para assumir a Secretaria Municipal de Educação (1979–1982) e contribuir diretamente no enfrentamento desses problemas.

De imediato, organizamos um grupo de trabalho composto pelo engenheiro Paulo Augusto Romano e Silva (coordenador de planejamento da Prefeitura), pelo professor Mário Chorilli (delegado regional de Ensino do Estado de São Paulo) e por mim, Barjas Negri, como secretário municipal de Educação. Em poucos meses, identificamos uma necessidade clara e urgente: seriam necessárias ao menos dez novas escolas estaduais, distribuídas pelos bairros da cidade. Isso mesmo: dez escolas.

A região da Vila Cristina, que abrangia diversos bairros, chamava atenção pelo grande número de crianças em idade escolar sem acesso adequado à escola. Diante disso, a Prefeitura tomou providências imediatas: adaptou o Centro Comunitário nas proximidades da Avenida Raposo Tavares, criando três salas de aula com divisórias de madeira, além da adequação de banheiros e cozinha. Assim, foi implantada uma escola estadual agrupada, que passou a atender imediatamente 210 alunos da 1ª à 4ª série, em até três períodos, das 7h às 18h, com horários concentrados para dar conta da demanda.

Paralelamente, a Prefeitura disponibilizou ao Governo do Estado um terreno na Rua Amador Bueno e articulou, junto à Secretaria Estadual de Educação e à Conesp (Companhia de Construções Escolares do Estado de São Paulo), a elaboração dos projetos executivos, do orçamento e a realização da licitação para a construção da nova unidade escolar. Em menos de três anos, a escola ficou pronta e iniciou suas atividades em 1982. Com isso, o Centro Comunitário pôde voltar à sua função original.

Tudo isso só foi possível graças a articulações técnicas e políticas que colocaram os interesses da população da Vila Cristina — especialmente de suas crianças — acima de qualquer outro interesse. Foi assim que nasceu a Escola Estadual João Sampaio, cuja trajetória de dedicação e compromisso alfabetizou e formou milhares de alunos ao longo de sua existência. Foi nessa escola que conheci a diretora Giselda Ercolin que posteriormente exerceu o cargo de secretária municipal de Educação no nosso primeiro mandato como prefeito (2005 - 2008).

 

Barjas Negri foi ministro da Saúde e prefeito de Piracicaba por três gestões

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