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Coluna: Entre Linhas com Ivana Negri

Publicada em: 12/02/2026 14:55 -

Pombos em discussão

Ivana Maria França de Negri

 

 



 

Usar a imagem de uma pomba branca para representar a paz, pode. Usar o pombo para representar a terceira pessoa da Santíssima Trindade, pode. Usar pombo para a Festa do Divino, pode. Usar pombinhos para convites de casamento, pode. Usar a ave como pombo correio, pode. Matar pombos para comer, pode. Mas dar milho ou farelo de pão para eles, não pode, e gera multa de 500 reais. Assim como também é proibido alimentar gatos abandonados e moradores de rua. Alegam os legisladores que é um problema de saúde pública. Como se as farmácias populares não estivessem sempre em falta com medicamentos, como se as filas para atendimentos não fossem imensas, além da falta de profissionais, etc...

De tempos em tempos retornam as discussões polêmicas sobre a presença dos pombos na cidade. Muita gente se incomoda com a sujeira e cobra ações da prefeitura. Dão até sugestões absurdas, como reduzir o número de árvores.

Medidas drásticas ou cruéis, tipo extermínio, de nada adiantam. Ações hitlerianas só denotam ignorância a respeito do assunto e nunca foram solução para questão alguma.

Segundo pesquisas, menos de 30% das fezes encontradas são de pombos, os restantes 70% são de outras aves. Não se pode esquecer que na região de Piracicaba existem seis espécies da família dos pombos que são nativas. Por isso as rações anticoncepcionais são condenadas, porque além de serem inviáveis devido ao custo e pela dificuldade de fazer com que se alimentem com a dose correta, podem afetar outras espécies de aves que também comeriam essa ração, comprometendo outros ecossistemas.

A população deve ser orientada a seguir condutas de higiene e saber sobre o contágio das principais doenças e como agir caso ocorram sintomas que prenunciem algumas dessas zoonozes.

Há muitas maneiras não agressivas de evitar que vivam no telhado das casas. Pombas não gostam de material brilhante como papel laminado. E nem do odor do cravo-da-india. Também o uso de fios de naylon a dez centímetros de onde elas costumam pousar, faz com que se afastem do local. Providenciar vedação de vãos nos forros e telhados e outros locais onde possam criar ninhos, colocando telas ou tapumes, conforme o caso. Colocar festões brilhantes ou manequins de predadores, tipo espantalho de corujas, falcões, também costuma dar bons resultados afastando-as do local.

As medidas têm que ser de acordo com a legislação para não causar danos às aves, nem ao meio ambiente, e devem ser aprovadas pelas sociedades protetoras de animais.

A presença de pombos em praças não é algo exclusivo de Piracicaba. São encontrados no mundo todo, exceto nas regiões polares. Chegaram ao Brasil trazidos por imigrantes europeus no século XVI como aves domésticas, adaptando- se muito bem aos grandes centros urbanos, devido a facilidade de encontrar alimento e abrigo. A diferença é que nos países desenvolvidos fazem a limpeza e desinfecção regularmente das praças, mantendo tudo higienizado.

Na Turquia há milhares de pombais, pequenas aberturas pintadas de branco ou decoradas com arabescos coloridos para atrair os pássaros, projetados para permitir a entrada dos pombos e protegê-los contra predadores, mantendo os ninhos seguros.

Na Capadócia existe o Vale dos Pombos, um local pitoresco perto da cidade de Uchisar, onde numerosos pombais foram escavados desde os tempos antigos. O vale, cujo nome deriva dos pombos, é um ponto turístico bastante visitado e protegido pelo governo, sendo o local patrimônio Mundial da UNESCO.

E aqui, quem é cruel, mata e maltrata animais, raramente é punido, mas quem tem compaixão e alimenta pombos e animais de rua, é condenado.

E que não sejam punidas pessoas de bom coração!

 

Ivana Maria França de Negri é escritora

 

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