Sistema da nação
Quando um atleta sobe ao pódio, o aplauso é coletivo, mas o caminho até ali quase sempre foi solitário.
O esporte amador brasileiro sustenta toda a pirâmide esportiva. É nele que estão os professores que formam atletas, os pais que financiam sonhos, as academias que funcionam com recursos limitados e os gestores que fazem muito com quase nada.
Sem dúvida nenhuma, é o setor menos valorizado, menos ouvido e menos financiado.
Sem o esporte amador não existe alto rendimento, sem base não existe seleção, sem professores não existe futuro esportivo.
O problema é que o sistema insiste em olhar apenas para o topo. Políticas públicas focam no resultado final, não no processo. Investimentos priorizam quem já chegou, não quem está tentando chegar.
O resultado é um funil cruel: milhares começam, poucos continuam e pouquíssimos chegam. Não por falta de talento, mas por falta de estrutura.
Tratar o esporte amador como política pública não é gasto, é investimento em educação, saúde, segurança e cidadania.
Enquanto isso não for compreendido, o pódio continuará sendo exceção e não consequência de um sistema eficiente. O esporte brasileiro não precisa apenas de mais medalhas.
Precisa de mais base, mais gestão e mais coragem para olhar além do pódio.
Mas de fato, esse não é o único problema quando olhamos para a geração atual de pais, mães, jovens e crianças. Sobre isso, falaremos em um outro momento. Uma ótima quarta-feira a todos nós!
Frederico Mitooka
Gestor Esportivo | CREF 027474-G/SP
Graduado em Educação Física e Comunicação Social com pós-graduação em Ciências Políticas e especialização em Gestão Pública.