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Coluna: Psicologia no Dia a Dia

Publicada em: 17/03/2026 11:48 -

 

A Boa Morte

     Bom dia, caro leitor! Saúde e paz para nós!

     Quando eu era menina e ainda morava em Piracicaba, sempre me intrigou o nome da Rua Boa Morte. Na minha cabeça de menina, aquele nome não fazia sentido algum: “Boa Morte, como a morte pode ser boa?!”, eu pensava!

     Hoje, depois de ter passado por mortes importantes – dos pais, do irmão, de amigos e entes muito queridos – entendo a importância desse nome da rua da minha infância e adolescência.

     Mergulhados e profundamente identificados apenas com o aspecto corporal e material da Vida, acabamos por esquecer que a morte não só faz parte do processo do viver, como pode ser que a Vida não acabe após a morte física! Isso transforma a morte em algo muito ruim, assustador e acaba gerando tamanho desconforto na hora de nos despedirmos deste lado da Vida que acabamos por achar que morrer é sempre ruim.

     Tanto não é e nem precisa ser assim que a expressão “boa morte” existe desde sempre! O bem morrer não se refere apenas ao instante de despedida da dimensão corpórea, mas também ao como nos preparamos para ele. Porque podemos nos preparar para morrer e isto está absolutamente relacionado com o bem viver, com termos boas relações pessoais, não termos mágoas nem remorsos ou ressentimentos, fazermos tudo o que entendemos necessário e fundamental e, principalmente, sermos felizes! Isto gera um momento de boa morte, pois nos permite olhar para trás e ver que valeu a pena, que não há pendências nem arrependimentos, “posso ir!”

     Outro fator importante, é falarmos sobre a morte sem medo nem superstições. É comum quando se fala sobre o morrer, ouvirmos coisas do tipo: “tá chamando a morte?”, “credo, por que falar disso?!”, “vamos mudar de assunto!” e por aí vai. A morte, enquanto parte inerente da Vida, pode ser tranquila, sem angústia ou medos. Nem excessos! Sim, excessos... Temos uma fantasia de que quanto mais prolongamos a Vida de alguém, com medicamentos e procedimentos, mais estamos cuidando daquela pessoa! Infelizmente, não é bem assim.

     Boa morte é o processo de despedir-se da dimensão corpórea da Vida com o mínimo de dor física e psíquica, rodeado de afetos – familiares ou não, no lugar escolhido pela pessoa (em casa ou outro local) e sem sofrimento por este momento estar acontecendo - refiro-me aqui, não à dor da separação que é absolutamente legítima, mas ao desespero pela separação. Isto dificulta a partida de quem está em seu processo de morte e machuca, demasiadamente, quem fica.

     Enquanto entendermos a morte como antagônica à Vida e não como parte do processo do viver, continuaremos sofrendo e prolongando o sofrimento de quem está prestes a partir.

     Que possamos refletir sobre a Morte, não como algo ruim, dilacerante, mas como parte da Vida e que ambas, Vida e Morte, merecem ser bem vividas!

     Paz e Bem aos que sabem que viver e morrer são processos contínuos e ininterruptos!

 

Bia Mattos

Psicóloga CRP 06/29269

 

Colunista: Maria Beatriz da Silva Mattos

Psicoterapeuta, Supervisora Clínica, Orientadora Vocacional, Facilitadora nos Cursos de Pós-graduação em Psicologia Transpessoal da Unipaz São Paulo e Paraná. Autora dos livros Espiritualidade em Psicologia: Psicossíntese, uma Psicologia com Alma e Orientação Vocacional - Uma Proposta Transpessoal.     

 

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