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Artigo - Pecege - Pinterest e estratégia: quando visibilidade vira consideração e venda

Publicada em: 07/05/2026 09:30 -

Pinterest e estratégia: quando visibilidade vira consideração e venda

Por Liliane Ferrari – Consultora Estrategista, Mentora, Palestrante, Professora e Embaixadora do MBA em Marketing USP Esalq

Em um ecossistema digital cada vez mais competitivo, chama a atenção como o Pinterest segue subestimado por marcas e empresas no Brasil. Talvez isso aconteça porque ainda é confundido com uma rede social tradicional. E é justamente aí que mora o erro  e a oportunidade. 

O Pinterest não é uma rede social, é um buscador. E todo buscador existe para responder a uma intenção. No fim do dia, toda marca quer exatamente isso: ser encontrada no momento certo. Nesse ambiente, o resultado não depende de sorte, feed ou engajamento instantâneo, mas de organização, estratégia e visão de longo prazo.  Mensalmente cerca de 550 milhões  de pessoas ao redor do mundo acessam a plataforma buscando inspirações.  

Diferentemente das plataformas baseadas em seguidores e cronologia, o Pinterest funciona como um grande catálogo vivo. Quando uma marca insere seu conteúdo ali, especialmente um e-commerce, passa a fazer parte das buscas intencionais de pessoas que já querem algo concreto: um produto, uma ideia, uma solução. Não é alguém distraído rolando a tela, mas alguém procurando. 

Um dos grandes diferenciais da plataforma é a indexação do e-commerce. Por meio de uma operação técnica simples, todos os produtos podem ser integrados de uma só vez, com atualização automática de preços, disponibilidade e lançamentos. O resultado é um acervo sempre atual, pesquisável e pronto para converter. 

Isso muda a lógica de dependência exclusiva do tráfego pago. Apostar apenas em anúncios é como jogar continuamente em uma máquina caça-níquel: você paga para aparecer, mas não constrói um ativo. No Pinterest, o conteúdo não “vence” em dois dias. Ele permanece. 

Outro ponto pouco explorado é o comportamento do usuário. Salvar um pin é um ato de planejamento. As pessoas organizam desejos e decisões reais: móveis, viagens, reformas, estética, produtos para a casa, para os filhos ou para os pets. O Pinterest conecta inspiração com ação prática. 

E não, as marcas não precisam produzir conteúdo novo para estar lá. Esse é um mito. Conteúdos já criados para Reels, TikTok ou carrosséis podem  e devem  ser reaproveitados. No Pinterest, eles ganham longevidade e se tornam ativos permanentes de busca. 

A plataforma também vai além das palavras-chave. Permite buscas por imagem, recortes dentro da própria imagem e múltiplas leituras visuais a partir de um único pin. O algoritmo entende contexto, não apenas texto, ampliando a lógica tradicional de SEO. 

Mas é preciso dizer: resultado no Pinterest não vem por acaso. O perfil não é um portfólio nem um mural de coleções com nomes internos. As pessoas não buscam “Coleção Manhattan 2025”, mas “sofá cinza para sala pequena” ou “vestido para casamento de dia”. Por isso, marcas pouco conhecidas também têm grandes chances de aparecer. 

Um perfil bem estruturado exige volume e organização. Cerca de 200 pins bem distribuídos em pastas com nomes estratégicos já criam tração. Ferramentas como o Pinterest Trends e o relatório anual Pinterest Predicts ajudam a entender como as pessoas buscam e antecipar comportamentos. 

Cada pin deve ser tratado como uma página de busca: título, descrição, palavras-chave, pasta correta e link direto. Tráfego precisa de caminho. Não existe “link na bio”. Existe intenção e destino. 

Ao longo de quase uma década trabalhando com a plataforma, desde 2017, com marcas de diferentes segmentos, do varejo às prefeituras, ouço com frequência que “Pinterest não dá resultado”. Na maioria das vezes, o problema não é a plataforma, mas a execução: pins sem preenchimento, sem link ou perfis de marca cheios de conteúdo de terceiros. 

Marca precisa colocar conteúdo proprietário. Se tem e-commerce, precisa estar no Pinterest Shop, simples assim. 

Enquanto muitas empresas se esgotam tentando alimentar feeds infinitos, o Pinterest segue ali, silencioso, organizado e poderoso, esperando que mais marcas entendam que busca não é vaidade. É estratégia. 

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