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Coluna: Adriana Passari fazendo histórias - 15-05-2026

Publicada em: 15/05/2026 08:12 -

Por Adriana Passari - @adrianapassari

 

Eu vou ser feliz, mas não hoje

 

Hoje eu vou ter que ter paciência porque o filho da vizinha resolveu fazer manutenção da moto na calçada e fica acelerando aquele motor com barulho insuportável até o escapamento tossir como se fosse um doente no auge de uma pneumonia triplamente qualificada. Faz mais de uma hora que fui acordada pela pior sinfonia do universo acompanhada pelo cheiro de fumaça corrosiva poluente invadindo meu olfato sensível. Ai que ódio! Quase tropecei no meu próprio sapato ao levantar da cama irada com a total falta de respeito do sujeito com a paz mundial.

Pra piorar estou com uma espinha horrível bem no meio da bochecha, daquelas que não dá pra apertar e nem disfarçar com maquiagem devido tamanho do estrago causado na pele. Melhor sair logo de casa antes que eu perca o pouco autocontrole que me resta e vá lá dizer umas poucas e boas que o cidadão merece ouvir. Minha mãe não quer que eu discuta com as pessoas porque preciso entender os problemas de cada um e por questão de segurança, já que não sabemos como os outros vão reagir. Acho até que ela tem razão, mas quem não tem razão é esse inconveniente barulhento de uma figa.

Saio pela rua tão brava e acabo  tropeçando no cadarço que na pressa não amarrei direito e ainda piso no cocô de cachorro, certeza que é daquele miserável que deixa o vira-lata escapar pelo portão toda hora e o simpaticão adora vir se aliviar bem no nosso jardim. Pra completar a lista de desgraças que me atingem nesta manhã terrível eu dou de cara com o meu ex e ele está perfeitamente lindo vestindo uma jaqueta que eu adoro e eu sempre pedia pra ele usar. Acho que ele cortou o cabelo e eu mal consigo respirar, não sei se é de susto ou emoção.

Tento me esconder atrás do portão, mas minha mãe aparece gritando meu nome e me pedindo pra trazer a vassoura pra recolher o cocô da grama. Penso que não tem nada mais para acontecer que faça minha vida piorar. Mas

sempre tem. Derrubo meu celular no chão e ele quebra. Não em pedaços, mas o protetor da tela que eu tinha trocado há duas semanas. Hoje realmente não é o meu dia. Vou me trancar de volta no quarto e só saio de lá quando a lua virar e meu inferno astral acabar.

Ouça a história na voz de Adriana Passari:

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