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Coluna: Adriana Passari fazendo histórias - 05/06/2026

Publicada em: 05/06/2026 08:52 -

Por Adriana Passari - @adrianapassari

Um homem de bem

 

                 Piloto de fórmula 1! Bradou o avô, aficionado por corridas.

                 Que mané piloto o quê? Ele vai ser jogador de futebol e ajudar o Brasil a conquistar mais uma Copa do Mundo, gritou o tio. 

                 Médico! Isso sim é profissão! Dessa vez foi a tia avó que era médica, puxando a sardinha para o seu lado.

A outra tia avó, a mais maluca entre todos, já estava querendo ver o pequeno garoto, que ainda estava na barriga avantajada de sete meses da mamãe, em cima de um cavalo.

                 O garoto tem todo o jeito para peão de rodeio, vai ser um sucesso! Dizia ela, toda agitada.

A discussão já estava durando mais de 48 horas. Começou no almoço de domingo e se estendeu para o grupo de WhatsApp da família. Todo mundo queria dar um pitaco no destino do pequeno ser humaninho que ainda estava no forninho. Nem viu a luz ainda e já tinha um batalhão tentando decidir o seu futuro. Está certo que os debates familiares eram bem tradicionais naquele grupo atabalhoado. Antes da profissão, discutiram sobre o nome e até o sexo do bebê. Foi uma disputa bem animada. Nomes mais tradicionais, outros mais ousados e até invencionices misturando os nomes de ancestrais em pretensas homenagens póstumas. Depois de inúmeras sugestões e até votação, os papais deram um fim à contenda anunciando a decisão: Gabriel.

                 Nome de anjo! Disseram todos. E a aprovação foi unânime.

Mas agora era essa algazarra toda decidindo qual seria o trabalho do garoto. Já tinha aparecido de tudo na lista de palpites. Artista plástico. Cantor sertanejo. Violinista. Engenheiro. Advogado. Jornalista. Malabarista. Psicólogo. Presidente. Banqueiro. Arquiteto…

Até que alguém perguntou para a bisa, que já não batia muito bem das ideias, mas era a mais querida entre todos.

                 Bisa, o que você acha que o Gabriel vai ser quando crescer?

A bisa respondeu sem nem mesmo pensar muito - ele vai ser o que ele tiver que ser, mas o mais importante é que seja um homem de bem.

O silêncio no grupo durou pelo menos uns cinco minutos… dava até pra sentir o impacto de tão sábias palavras calando cada um dos participantes daquela prolongada conversa.

Quem quebrou o gelo após essa “pedrada” foi a prima que morava fora e pouco participava dos frequentes diálogos familiares.

                 Humilhou bisa!! Arrasou!! Já tem meu voto!

 

E entre gargalhadas e figurinhas divertidas, a barulheira começou toda de novo! Essa bisa realmente sabe das coisas.

Ouça a história na voz de Adriana Passari:

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