Por Vitor Prates - Rádio Piracicaba
A Copa do Mundo de 2026 promete ser histórica. Pela primeira vez, o principal torneio do futebol mundial reunirá 48 seleções, contará com 104 partidas e será disputado simultaneamente em três países: Estados Unidos, Canadá e México. No entanto, enquanto a FIFA celebra números recordes e receitas bilionárias, especialistas ambientais alertam para uma consequência preocupante: o Mundial pode se tornar o mais poluente da história.
O futebol é uma paixão que une povos, culturas e gerações. Mas a grandiosidade da próxima Copa levanta um debate cada vez mais urgente: qual será o preço ambiental de um evento desta magnitude?
Estudos internacionais apontam que a competição poderá gerar entre 7,8 e 15 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), um volume sem precedentes para um evento esportivo. Para efeito de comparação, as emissões podem superar com folga as registradas na Copa do Catar, em 2022, que já havia sido alvo de críticas por seu impacto ambiental.
O principal problema está nos céus. Com cidades-sede espalhadas por milhares de quilômetros, milhões de torcedores deverão embarcar em voos nacionais e internacionais ao longo do torneio. Delegações, equipes técnicas, jornalistas, patrocinadores e autoridades também percorrerão longas distâncias. Especialistas calculam que a aviação poderá responder por quase 90% das emissões totais da competição.
A contradição chama a atenção. Em um momento em que governos, empresas e cidadãos são incentivados a reduzir sua pegada de carbono, a maior competição esportiva do planeta segue na direção oposta. Mais seleções significam mais jogos. Mais jogos significam mais viagens. Mais viagens significam mais emissões.
Outro aspecto pouco discutido envolve o consumo energético. Além dos estádios, haverá uma gigantesca estrutura de transmissão para bilhões de espectadores ao redor do mundo. Servidores, centros de dados, plataformas digitais e sistemas de streaming funcionarão em escala inédita durante semanas, ampliando ainda mais o impacto ambiental do evento.
Enquanto isso, organizações ambientais criticam a falta de um plano detalhado da FIFA para compensar as emissões previstas. Embora a entidade afirme ter metas de sustentabilidade para as próximas décadas, especialistas cobram ações concretas e transparentes para enfrentar os impactos da Copa de 2026.
O debate ganha ainda mais força diante dos eventos climáticos extremos que vêm sendo registrados em diversas partes do mundo. Ondas de calor, secas prolongadas, enchentes e tempestades severas têm se tornado cada vez mais frequentes. Muitos cientistas alertam que a redução das emissões de gases de efeito estufa é uma das principais medidas para conter o avanço das mudanças climáticas.
A Copa do Mundo sempre foi sinônimo de festa, emoção e união entre os povos. Porém, a edição de 2026 também poderá entrar para a história por um motivo menos nobre: ser o símbolo de um modelo de megaevento esportivo que precisa se reinventar diante dos desafios ambientais do século XXI.
Enquanto a contagem regressiva para o Mundial continua, uma pergunta permanece no ar: será possível conciliar o maior espetáculo do futebol com a responsabilidade ambiental que o planeta exige?