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Artigo - Pecege - Geração X e as novas gerações: resiliência ou resistência?

Publicada em: 07/07/2026 08:00 -

Por Daniel Yokoyama Sonoda, CEO do Pecege

 

Nas conversas sobre mercado de trabalho, é cada vez mais comum ouvir críticas às gerações mais novas, as chamadas nativas digitais. O tema ressurge com frequência, impulsionado por discussões nas redes sociais sobre comportamento, valores e expectativas no ambiente profissional.

 

Em uma conversa com Mauricio Benato, presidente da ACIPI Piracicaba, discutíamos justamente essas divergências entre gerações quando ele ponderou: "Daniel, isso sempre existiu. E acredito que essa nova geração tem muito a nos ensinar do ponto de vista de tecnologia." Uma observação simples, mas que resume bem o que muitas vezes se perde nesse debate.

 

Não há dúvida de que nossas escolhas são moldadas pela realidade em que vivemos. Enquanto uma geração cresceu aprendendo que o sucesso dependia de paciência e esforço acumulado, a seguinte aprendeu que o mundo está a um clique de distância. Os sonhos mudaram, as referências mudaram, mas o desafio de sentar na mesma sala e construir algo junto continua o mesmo.

 

É verdade que o grau de conforto médio da população se elevou muito em relação a cem anos atrás, em grande parte graças ao avanço da industrialização e da tecnologia. Tempos difíceis formaram pessoas rígidas. A geração X atravessou muitas dessas transições, foi criada por pessoas ainda endurecidas por esse contexto, mas o mundo ao redor foi mudando. E foram essas mesmas gerações que criaram os jovens que hoje já estão no mercado de trabalho, com novas levas chegando na sequência.

 

O que nos resta, portanto, é nos adaptarmos ao que ajudamos a construir. A superação do choque de gerações em nome de um bem maior: o ganho de produtividade. E produtividade nesse contexto tem tudo a ver com troca de experiências. Esse relacionamento precisa ser conciliador, diferente do que se observa com frequência, marcado por posições extremistas de ambos os lados.

 

Encontrar profissionais prontos está cada vez mais raro e mais caro. A lacuna entre formação e mercado se traduz em tempo e custo para as empresas. Sem generalizar, esse descolamento pode aprofundar a concentração de renda nas próximas gerações, caso nenhuma correção de rota seja feita.

 

A resposta não será simples, nem rápida. Mas começa pelo reconhecimento de que cada geração carrega consigo o melhor e o pior do tempo em que cresceu... Construir pontes entre elas é o grande desafio!

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