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Coluna: Além do pódio

Publicada em: 22/07/2026 09:27 -

Cada um por si e Deus por todos

No esporte brasileiro, há uma frase que, infelizmente, parece resumir o comportamento de muitos dirigentes: "cada um por si e Deus por todos". Em um ambiente que deveria ser pautado pela cooperação, pelo fortalecimento coletivo e pela defesa de interesses comuns, prevalece, muitas vezes, a disputa por pequenos espaços, vaidades pessoais e interesses particulares.

 

Enquanto atletas entendem que o trabalho em equipe é fundamental para alcançar grandes resultados, parte dos dirigentes insiste em caminhar na direção oposta. A consequência é previsível: uma categoria desunida, sem representatividade política e com pouca capacidade de influenciar decisões que impactam diretamente o futuro do esporte.

 

Quando surgem debates sobre leis de incentivo, programas de financiamento, bolsas, utilização de espaços públicos ou distribuição de recursos, raramente existe uma pauta construída coletivamente. Cada entidade busca resolver seus próprios problemas, esquecendo que muitas das dificuldades são compartilhadas por todos. Essa fragmentação enfraquece o diálogo com o poder público e reduz a força de negociação do setor esportivo.

 

A política respeita quem consegue mobilizar pessoas e apresentar propostas consistentes. Um dirigente isolado representa apenas sua instituição. Um grupo organizado representa uma comunidade inteira. Essa diferença pesa nas decisões administrativas, na elaboração de políticas públicas e na definição das prioridades de investimento.

 

O resultado dessa falta de união é sentido diariamente. Recursos insuficientes, excesso de burocracia, insegurança jurídica, ausência de planejamento de longo prazo e pouca participação do esporte nas grandes decisões dos municípios são reflexos de uma classe que ainda não aprendeu a defender seus interesses de forma conjunta.

É preciso abandonar a lógica da concorrência permanente entre modalidades, associações e projetos. O crescimento de uma entidade não significa o enfraquecimento da outra. Pelo contrário: quanto mais forte for o ecossistema esportivo, maiores serão as oportunidades para atletas, treinadores, gestores e para toda a sociedade.

 

Defender interesses coletivos não significa abrir mão das identidades individuais. Significa compreender que existem pautas que pertencem a todos: financiamento adequado, transparência, valorização dos profissionais do esporte, segurança jurídica para as entidades e políticas públicas permanentes, independentemente de quem esteja no governo. Talvez o maior desafio dos dirigentes esportivos não seja formar campeões dentro das quadras ou tatames, mas aprender a construir alianças fora deles. Enquanto prevalecer o pensamento de que cada instituição deve lutar sozinha e no benefício através de acordos individuais, continuaremos comemorando pequenas vitórias e acumulando grandes derrotas coletivas.

 

O esporte sempre ensinou que ninguém vence um campeonato pensando apenas em si. Está na hora de seus dirigentes aprenderem a mesma lição.

 

 

Frederico Mitooka

Gestor Esportivo / CREF 027474-G/SP

Profissional de Ed. Física e Comunicação Social

Pós-graduado em Ciências Políticas e Gestão Pública

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