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Artigo - Matheus Bonassi e Guilherme Supriano: uma gestão que recolocou o XV de Piracicaba no caminho do protagonismo

Publicada em: 03/08/2026 15:08 -

Por - Vitor Prates - Rádio Piracicaba

No futebol, os resultados dentro de campo costumam ser o principal parâmetro para avaliar uma gestão. Porém, as administrações mais bem-sucedidas são aquelas que conseguem deixar um legado além das quatro linhas. É justamente esse desafio que Matheus Bonassi e Guilherme Supriano assumiram ao chegarem à presidência e vice-presidência do XV de Piracicaba, em outubro de 2024.

 

Eleitos com ampla maioria dos votos do Conselho Deliberativo, os dois dirigentes chegaram ao comando do clube carregando uma característica em comum: antes de serem administradores, sempre foram torcedores apaixonados pelo Nhô Quim. Bonassi construiu sua trajetória nas arquibancadas, fundou a torcida Super Raça Quinzista, foi diretor das categorias de base, vice-presidente e conselheiro. Já Supriano viveu o clube desde a infância, participou da fundação da torcida Esquadrão e retornou à vida política do XV após consolidar sua carreira profissional.

 

Mais do que assumir cargos, ambos herdaram um cenário desafiador. O XV precisava manter o processo de reorganização administrativa, buscar estabilidade financeira e, ao mesmo tempo, devolver ao torcedor a esperança de dias melhores.

 

A primeira grande demonstração da nova administração foi a profissionalização da estrutura do departamento de futebol. Matheus Bonassi assumiu também a função de diretor de futebol, aproximando a presidência das decisões esportivas, enquanto a diretoria passou a investir em uma estrutura técnica mais sólida e organizada.

 

Os resultados começaram a aparecer rapidamente.

 

Ainda em 2025, o XV conquistou o título da Copa Paulista, recolocando o clube em uma competição nacional com a escolha da disputa da Série D do Campeonato Brasileiro. A conquista representou muito mais do que um troféu: simbolizou a recuperação da confiança da torcida e o fortalecimento da imagem institucional do clube.

 

Em 2026, mesmo sem conquistar o acesso à elite estadual, o XV voltou a disputar simultaneamente Campeonato Paulista A2, Série D e Copa Paulista, mantendo um elenco competitivo e uma estrutura que permitiu ao clube seguir brigando por objetivos importantes durante toda a temporada. A chegada do executivo Beto Souza e a manutenção de uma comissão técnica estruturada reforçaram a ideia de continuidade no planejamento.

 

Mas talvez o maior mérito da atual gestão esteja justamente naquilo que nem sempre aparece na tabela de classificação.

 

Bonassi e Supriano têm defendido um modelo de clube baseado em planejamento de longo prazo. Entre as prioridades estão o fortalecimento das categorias de formação, a captação de recursos por meio de projetos incentivados, a modernização da infraestrutura e o saneamento financeiro da instituição. O histórico de Bonassi na obtenção do Certificado de Clube Formador da CBF e na aprovação de projetos de incentivo demonstra que essa visão não surgiu agora, mas faz parte de uma filosofia construída ao longo dos últimos anos.

 

Outro ponto relevante foi a condução do processo que envolve a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A atual diretoria participou diretamente das discussões que culminaram na aprovação do projeto pelo Conselho Deliberativo, sempre defendendo que qualquer mudança deveria preservar a identidade e a história do clube. A transição demonstra maturidade administrativa e preocupação com o futuro do XV além de uma única gestão.

 

Naturalmente, ainda existem desafios. O principal deles continua sendo recolocar o XV na Série A1 do Campeonato Paulista, objetivo que mobiliza dirigentes, comissão técnica, atletas e torcedores há várias temporadas. Também será fundamental transformar os avanços administrativos em estabilidade esportiva permanente.

 

Entretanto, é difícil negar que o clube vive um momento diferente daquele encontrado no fim de 2024. Hoje, o XV possui uma estrutura administrativa mais organizada, maior credibilidade institucional, planejamento definido e voltou a disputar competições nacionais.

 

O futebol é feito de vitórias e derrotas, mas as grandes administrações costumam ser lembradas pela capacidade de preparar o clube para o futuro. Ainda é cedo para afirmar qual será o legado definitivo de Matheus Bonassi e Guilherme Supriano. Contudo, até aqui, a dupla demonstra que é possível administrar um clube centenário respeitando sua tradição, valorizando sua torcida e construindo bases sólidas para que o Nhô Quim volte a ocupar o lugar que sua história exige.

 

Porque, no fim das contas, títulos marcam uma temporada. Uma gestão bem conduzida pode marcar uma geração.

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