Agosto, mês do Folclore
Ivana Maria França de Negri
Folclore: é o conjunto de manifestações da cultura popular que formam a identidade de um povo. A palavra tem origem no inglês folklore - junção de folk (povo) e lore (saber), significando literalmente “saber do povo”. É a memória coletiva de uma cidade, estado ou nação.
Essas tradições são transmitidas oralmente de geração em geração e incluem mitos, lendas, danças, festas, provérbios e brincadeiras.
Lendas sempre despertaram a curiosidade nas crianças, pois são fantasiosas e aguçam o imaginário infantil. E quando chega agosto, o mês do folclore, as escolas trabalham as Lendas Brasileiras com as crianças. Quem não conhece o Saci-Pererê, a Mula-sem-Cabeça, a Iara, o Boitatá, a Curupira, o Boto cor-de-rosa, e tantos outros?
Mas cada estado, cada cidade, tem suas próprias lendas e seus personagens que, se não forem trazidos ao conhecimento das crianças, acabam morrendo, pois dependem de serem passados de geração em geração.
Piracicaba é rica em lendas e personagens marcantes. Percebi que não havia na literatura local um enfoque direcionado para crianças, com linguajar simples e acessível para os mais novos. Resolvi escrever livrinhos curtos e com ilustrações, que recontassem as lendas de uma forma lúdica e fantasiosa. Para os pequenos, quanto mais fantasia, melhor!
O primeiro livro, em 2018, foi sobre o lendário Capitão Nhô Lica, personagem folclórico conhecido das gerações anteriores. Se perguntadas, as crianças não sabiam quem era ele e porque ficou conhecido.
Animada com o sucesso do livrinho, parti para o segundo. Recontei a lenda da Inhala Seca. As crianças desconheciam essa narrativa também, mas adoraram, pois a história é um pouco macabra e crianças gostam de sentir um “medinho”. O terceiro foi sobre a Noiva da Colina, uma história de amor, que os antigos conheciam, mas confundiam o véu da noiva com a pequena cachoeira que jorra perto da ponte do Engenho. No livro esclareço que o verdadeiro véu da noiva são as brumas do salto, e o nome veio da inspiração de um poeta.
E fui me animando, vendo que os livrinhos estavam sendo utilizados nas escolas, e veio a Lenda da Cobrona na Catedral, depois A Lenda do túmulo do Padre Galvão, e a história do Elias dos Bonecos. O próximo, em breve, será sobre a inesquecível Madalena.
Os primeiros, foi minha neta Ana Clara ilustrou, com a criatividade que só as crianças possuem. E as minhas netas gêmeas Ana Liz e Ana Laura, continuam a missão de fazer as ilustrações, cada uma com seu jeitinho e técnica próprios.
Penso que essas lendas populares não podem ser esquecidas, o importante é que alguém as reconte de tempos em tempos para não se perderem, pois fazem parte da história de Piracicaba.
Cada cidade tem suas próprias lendas e personagens folclóricos, e diz o ditado que quem conta um conto aumenta um ponto, colocando algum detalhe novo. E assim, elas vão sendo recriadas e perpetuadas quando recontadas.
Gosto de escrever quadrinhas ao final de cada história para que as crianças se interessem por poesia também. E as quadrinhas, por seres rimadas, cadenciadas, são fáceis de memorizar.
E vocês, vão ajudar a recontar as Lendas de Piracicaba para seus alunos, filhos e netos?
Ivana Maria França de Negri é escritora e autora da Coleção Lendas e Personagens Folclóricos de Piracicaba para crianças.