“O que a vida quer da gente é coragem”!
Bom dia, caro leitor! Paz e Bem!
Quanto tempo! E como este é meu primeiro texto do ano, feliz ano novo para você!
A frase que dá nome a este texto é do incrível Guimarães Rosa. Ela nos fala do quanto na Vida, com suas oscilações, precisamos de uma certa dose de coragem e, eu diria, outra dose de ousadia para realmente viver!
Há exatos 33 dias, mudei com minha família de São Paulo. Ousamos deixar a maior cidade da América do Sul com seus recursos imensos em todas as áreas, com uma variedade gigante de possibilidades culturais e profissionais, mas com um problema muito sério: Sampa é uma cidade doente!
São Paulo é uma cidade frenética, que “não dorme”, não para! E porque não para, tudo é intenso, mega, grandioso, quase infinito! Mas é uma ilusão, pois um tal estado de coisas vai sendo absorvido por cada um dos que nela vivem e passamos a normalizar o que jamais deveríamos: poluição aérea, sonora e visual (“coisa de cidade grande”); a violência (“uma cidade cheia de desigualdades, é assim mesmo”); deslocamentos engarrafados que desgastam terrivelmente (“São Paulo é assim mesmo”) e tantas outras frases que refletem o quanto é fácil perder o limite do razoável. O terrível é que as pessoas não se dão conta das consequências destrutivas dessa “normalização” do que é nocivo e desestruturante.
Estresse, medo, cansaço constante, agitação, neuroses... Nada novo. E é neste ponto que precisamos de Guimarães Rosa, pois sem coragem de se inconformar com isso tudo, vamos sendo sugados, lentamente, e nem percebemos quando já fazemos parte do que gera o estado insano do qual sofremos e reclamamos.
Romper não é simples, mas necessário! Temos esquecido que viver sem limites adoece e mata: a sensibilidade, nossa humanidade, o corpo! Por isso precisamos de coragem, para sairmos na contramão do comodismo e da consequente cegueira ao que não é natural!
O desafio é ter coragem de se ouvir naquilo que realmente faz sentido quando pensamos em como gostaríamos de viver! É ousar ir atrás do “sonho feliz de cidade” como disse Caetano e romper com a ideia de que não temos saída! Sem tentar, não teremos nunca, não mudaremos nada e só nos restará aceitar...
Neste ano que ainda está no seu início, desejo que você ouse romper com o “normal” que lhe adoece! Que você se permita buscar o que lhe faz realmente feliz! E que você perceba que sua coragem está aí dentro, talvez soterrada sob um monte de coisas que fizeram você acreditar e que lhe apequenam e impedem de ousar!
Paz e Bem aos ousados e corajosos! É deles um mundo mais saudável e feliz!
Bia Mattos
Psicóloga CRP 06/29269

Colunista: Maria Beatriz da Silva Mattos
Psicoterapeuta, Supervisora Clínica, Orientadora Vocacional, Facilitadora nos Cursos de Pós-graduação em Psicologia Transpessoal da Unipaz São Paulo e Paraná. Autora dos livros Espiritualidade em Psicologia: Psicossíntese, uma Psicologia com Alma e Orientação Vocacional - Uma Proposta Transpessoal.