Assédio moral atravessa o mercado e compromete saúde mental, aponta pesquisa
Por Jônatas de Oliveira, aluno embaixador no MBA em Gestão de Pessoas da USP/Esalq.
O assédio moral compromete a saúde mental, a motivação e o desempenho dos trabalhadores. Esse é um dos resultados do trabalho desenvolvido por mim.
A pesquisa qualitativa se baseou em entrevistas de forma anônima e/ou voluntária. Os relatos revelam que as dinâmicas de poder e a centralização da autoridade são os principais gatilhos das práticas abusivas nas empresas.
Nas entrevistas, foram relatados episódios de rejeição profissional e violação de intimidade, que afetam a confiança e o equilíbrio emocional de colaboradores. No ambiente corporativo, também surgem com frequência situações de humilhação pública, desqualificação técnica e culturas autoritárias, comumente associadas ao esgotamento e ao Burnout.
O fenômeno ultrapassa fronteiras institucionais e exige respostas sistêmicas. O assédio moral é transversal: ele não se restringe a um setor ou tipo de organização, mas reflete estruturas de poder mal administradas e a ausência de políticas claras de acolhimento e escuta.
Entre as medidas propostas, o estudo sugere a criação de um Comitê de Gestão de Conflitos, com ouvidoria anônima, relatórios periódicos e mecanismos de monitoramento que permitam identificar incoerências e prevenir novas ocorrências. Também defende programas de apoio psicológico às vítimas e políticas institucionais específicas de denúncia e tratamento da violência.
A transformação começa quando as instituições reconhecem que proteger a dignidade humana é um investimento em produtividade, pertencimento e inovação”.
O tema ganha relevância diante do aumento dos casos registrados na Justiça do Trabalho. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), em 2024 foram ajuizados 4.074 processos por assédio moral, um crescimento de 15,85% em relação ao ano anterior. Somando assédio moral e sexual, a média chegou a 12 novos casos por dia.
Os números reforçam a urgência de mudanças estruturais. É preciso que o mundo corporativo assuma a corresponsabilidade por construir ambientes mais éticos, saudáveis e sustentáveis.