No Dia Mundial do Sono, celebrado em 14 de março, especialistas em saúde renovam o alerta sobre a importância de uma boa noite de descanso e os riscos associados a distúrbios como ronco e apneia do sono, condições que afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Estudos recentes indicam que a apneia obstrutiva do sono (AOS), caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o sono, pode ocorrer em até 30% da população adulta, com maior prevalência entre homens, pessoas com excesso de peso e indivíduos com idade mais avançada, elevando o risco de hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes e comprometimento cognitivo quando não diagnosticada e tratada adequadamente.
Dormir bem vai muito além de simplesmente descansar após um dia de atividades. O sono de qualidade está intimamente ligado à recuperação física, ao equilíbrio hormonal, à saúde mental e ao bom funcionamento do sistema imunológico. Apesar disso, muitos brasileiros convivem com noites fragmentadas e pouco reparadoras devido ao ronco habitual ou a episódios de apneia, que provocam microdespertares frequentes, muitas vezes sem que a pessoa perceba. Estes episódios reduzem a quantidade de sono profundo e prejudicam a renovação saudável do organismo.
O otorrinolaringologista Dr. Thiago Zago ressalta que o ronco não deve ser visto apenas como um incômodo noturno. Embora seja comum em muitas pessoas, ele pode ser um sinal de obstrução parcial das vias aéreas superiores, que evolui para apneia do sono em casos mais graves. A apneia causa queda de oxigênio no sangue e fragmentação do sono, o que, a longo prazo, está associado a sérias consequências para a saúde cardiovascular e metabólica.
Segundo o médico, a conscientização sobre esses sinais e a busca por avaliação especializada são passos fundamentais para prevenir complicações.Dados de pesquisas do setor de saúde do sono mostram que pessoas com apneia do sono não tratada têm maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial e arritmias cardíacas, além de relatar maior fadiga diurna, sonolência ao dirigir e dificuldades de concentração, fatores que impactam diretamente a qualidade de vida e a segurança nas atividades cotidianas. O ronco alto e persistente, pausas respiratórias observadas por companheiros de dormitório e sono não reparador são alguns dos sinais que indicam a necessidade de investigação médica.Dr. Thiago Zago destaca ainda que as estratégias para combater o ronco e a apneia podem variar conforme a gravidade e as causas subjacentes.
“Em muitos casos, mudanças no estilo de vida como perda de peso, evitar álcool antes de dormir e manter uma rotina de sono regular podem trazer benefícios. Além disso, dispositivos orais, terapias com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) e, quando indicado, intervenções cirúrgicas específicas podem melhorar significativamente os sintomas e a qualidade do sono”, explica o especialista.
A promoção de um ambiente propício ao descanso, com temperatura adequada, ausência de luz excessiva e redução de ruídos, também é enfatizada pelos profissionais de saúde como parte das medidas que ajudam a consolidar um sono profundo e restaurador. No Dia Mundial do Sono, a mensagem principal dos especialistas é clara: reconhecer os sinais de distúrbios respiratórios noturnos e buscar orientação médica pode transformar a saúde global do indivíduo, promovendo não apenas noites melhores, mas dias mais produtivos, seguros e saudáveis.