Por Adriana Passari - @adrianapassari
Todas as suas ausências
Sabe a última fofoca da família? O dia que eu soube, queria lhe contar na hora só pra ver a sua reação. Deve ter amado. Queria ter lhe contado pessoalmente. E no outro dia me lembrei daquela vez que perdi o documento da matrícula da faculdade e você veio me socorrer 110 km distante, sem reclamar.
No último Natal eu não sabia o que lhe comprar de presente. Sempre foi uma escolha difícil pra mim, mas como eu queria acertar este ano mais uma vez.
Sabe aquele espaço que você deixou esperando para colocar a flor que eu levei todos os anos? Então, preciso confessar que teve um ano que eu quase esqueci, mas a sorte colocou uma floricultura bem no meu caminho e eu consegui lembrar a tempo.

Por esses dias eu senti uma dorzinha no pé e lembrei daquele sapato seu que eu seqüestrei porque era o único que não machucava o meu naquela vez que eu torci. Nunca mais devolvi e você nunca me pediu de volta. Não se preocupe, a dorzinha desta vez foi passageira e já estou bem.
Contei pra você que aprendi a fazer aquele meu prato favorito? Não fica igualzinho ao seu, mas me deixa feliz quando eu preparo.
E sabe aquele dia que a gente estava voltando da sua consulta médica na capital e eu errei o caminho e tivemos que pegar um retorno alguns quilômetros a frente? Você não fez nenhum comentário e continuamos conversando normalmente. E olha que eu sei que você adorava dar palpite no trânsito. Eu agradeci em pensamento, devia ter dito em voz alta.
O papo está bom, mas eu só queria lhe dizer que sinto saudade.
Me perdoe mãe por ter lhe entendido e amado melhor na ausência…
Ouça a história na voz de Adriana Passari: