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Coluna: Além do pódio

Publicada em: 24/06/2026 07:50 -

Dia Santo

Há datas que o brasileiro trata como sagradas. Natal, Ano Novo, Páscoa e quando a Seleção Brasileira entra em campo em uma Copa do Mundo. Nesses momentos, surge o velho debate: o país deveria parar? Escolas deveriam suspender aulas? O jogo da Seleção deveria ser tratado como um feriado nacional?

 

A simples existência dessa discussão revela muito sobre a forma como enxergamos o esporte e, principalmente, sobre a forma como enxergamos nosso próprio papel como sociedade.

Em países que alcançaram elevados níveis de desenvolvimento, o esporte costuma ser valorizado como instrumento de educação, saúde, disciplina, identidade nacional e formação de caráter. A competição é celebrada, os atletas são admirados e as conquistas fortalecem o orgulho coletivo. Mas dificilmente a atenção se concentra apenas na oportunidade de interromper a rotina para festejar. No Brasil, o foco deixa de ser o desempenho esportivo, a estratégia do jogo ou o significado da representação nacional. O que mobiliza parte da população é a possibilidade de transformar o evento em uma grande confraternização. A preocupação não é com o esporte, mas com a festa. Não é com a conquista, mas com a celebração antecipada.

 

Talvez seja por isso que o brasileiro demonstre tanto entusiasmo durante grandes eventos esportivos e tão pouco interesse pelo esporte no restante do tempo. Os estádios lotam em dias decisivos, as ruas se enchem de bandeiras e camisas amarelas, mas as quadras dos bairros permanecem vazias, os projetos esportivos lutam para atrair participantes e milhares de jovens seguem sem acesso regular à prática esportiva.

 

A Seleção Brasileira possui uma capacidade única de unir o país. Poucos símbolos nacionais conseguem despertar emoções tão intensas em pessoas de diferentes origens, classes sociais e regiões. Essa força poderia ser utilizada para algo maior do que algumas horas de comemoração. Poderia servir como porta de entrada para uma cultura esportiva mais sólida, capaz de inspirar crianças e adolescentes a praticarem esportes, adotarem hábitos saudáveis e desenvolverem valores fundamentais para a vida.

 

O dia em que a Seleção jogar pode até ser especial, mas será verdadeiramente um "dia santo" apenas quando a paixão demonstrada durante noventa minutos se transformar em compromisso permanente com o esporte, com a formação de nossos jovens e com a construção de um país melhor. Afinal, nações desenvolvidas não são construídas por feriados. São construídas por cidadãos que transformam inspiração em ação.

 

Frederico Mitooka

Gestor Esportivo / CREF 027474-G/SP

Graduado em Educação Física e Comunicação Social com pós-graduação em Ciências Políticas e especialização em Gestão Pública

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