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Artigo - Pecege - A escola e as competências socioemocionais na educação

Publicada em: 16/07/2026 07:39 -

A escola e as competências socioemocionais na educação

Por Maria Fernanda Celli, professora da Especialização em Neurociência e Aprendizagem na Educação do MBA USP Esalq.

Quando falamos em educação, ainda é comum associarmos aprendizagem apenas ao domínio de conteúdos cognitivos. No entanto, essa visão já não responde às demandas reais da escola contemporânea. Não é possível educar de forma plena ignorando aquilo que é essencialmente humano: as emoções.

Eu costumo afirmar, e reforço, que não há educação sem emoção. Ela não é um elemento acessório é base do processo educativo. Sem ela, não há engajamento, não há sentido e, consequentemente, não há aprendizagem efetiva.

As competências socioemocionais surgem justamente dessa necessidade de ampliar o olhar sobre o desenvolvimento humano. Não basta formar estudantes cognitivamente preparados; é preciso formar indivíduos capazes de se reconhecer, de se relacionar, de tomar decisões responsáveis e de lidar com os desafios da vida de forma equilibrada.

Nesse contexto, a escola assume um papel central. Ela é, talvez, o espaço mais fértil para o desenvolvimento dessas competências, justamente por ser um ambiente de convivência, diversidade e interação constante. É na escola que aprendemos a conviver, a respeitar, a resolver conflitos e a reconhecer o outro, e a nós mesmos.

Mas há um ponto que precisa ser enfrentado com seriedade, não se ensina aquilo que não se pratica. O desenvolvimento socioemocional dos estudantes está diretamente ligado ao repertório dos educadores. Não é possível promover empatia, autocontrole ou respeito se essas competências não estiverem minimamente desenvolvidas em quem ensina.

Outro aspecto fundamental é compreender que emoção e aprendizagem são inseparáveis. A forma como o estudante se sente impacta diretamente sua capacidade de atenção, memória e construção do conhecimento. Emoções mal gerenciadas como medo, cólera ou euforia podem bloquear o aprendizado. Por outro lado, quando há equilíbrio emocional, o processo se torna mais significativo e consistente.

Isso nos leva a uma responsabilidade prática, criar ambientes emocionalmente seguros. Espaços onde o estudante possa se expressar, errar, aprender e se desenvolver sem medo. A aprendizagem exige risco e ninguém se arrisca em ambientes hostis.

Além disso, trabalhar competências socioemocionais é também enfrentar desafios concretos da escola atual, como o bullying. Esse fenômeno, ampliado inclusive pelos meios digitais, evidencia a urgência de formar indivíduos mais empáticos, conscientes e responsáveis. Não se trata apenas de conteúdo curricular, mas de construção de uma sociedade menos violenta e mais respeitosa.

Por fim, é importante reforçar, competências socioemocionais não substituem as cognitivas elas caminham juntas. São igualmente importantes e se complementam na formação integral do indivíduo.

Educar, hoje, é compreender o estudante em sua totalidade. É reconhecer que aprender envolve pensar, sentir e se relacionar. E é assumir que, sem emoção, não há aprendizagem, há apenas conteúdo vazio.

Se queremos, de fato, transformar a educação, precisamos começar por aquilo que a sustenta: as relações, as emoções e o desenvolvimento humano em sua forma mais completa.

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